Atendimento de surdo-cegos da primeira infância à vida adulta
09/07/2009 // Direitos, Escolas
Tudo começou meio por acaso. Há 11 anos, a captadora de leilões MarÃlia Ferri Aidar, 59 anos, pôs à venda um sÃtio que tinha perto de São Paulo. Filha única, tinha acabado de perder o pai e a mãe estava doente. 'Achei que a venda era a melhor solução', diz. Uma das interessadas na compra era mãe de uma criança surda e cega, aluna da Ahimsa, única escola no paÃs especializada no atendimento de portadores da surdo-cegueira. MarÃlia desconhecia a existência da doença e quis saber mais. Descobriu que Ahimsa significa 'não violência' em sânscrito e que a escola, uma associação sem fins lucrativos criada em 1991 por 26 profissionais que trabalhavam com a multideficiência, enfrentava problemas sérios, que iam de instalações precárias à falta de verba. Ainda assim, a instituição, localizada na Vila Mariana (Zona Sul de São Paulo), atendia 40 crianças e tinha outras 70 na fila de espera.
Comovida, MarÃlia teve um impulso: doou o sÃtio, avaliado em R$ 150 mil. 'Fiquei muito tocada com o que ouvi. Decidi conhecer a Ahimsa e fiz a doação na hora.' Ela contratou um arquiteto para projetar uma nova sede para a escola, no sÃtio. Mas o imóvel, localizado em área de mananciais, teve a construção vetada por lei. Ainda assim, não desistiu: o sÃtio tornou-se um espaço para festas e encontros da Ahimsa. E MarÃlia, já totalmente envolvida com a causa, alugou uma casa ao lado da sede original e patrocinou uma ampla reforma nos dois prédios, ao custo de quase R$ 250 mil. Ainda hoje, banca cerca de R$ 10 mil por mês para cobrir despesas de aluguel, parte dos salários de funcionários e custos administrativos da Ahimsa. O que falta para manter o trabalho vem de convênios com os governos estadual e municipal de São Paulo, além de doações esporádicas e contratações para consultorias pelo Brasil.
A escola, que tem 45 bolsistas, atende 200 surdo-cegos, entre crianças, adolescentes e adultos, e conta com orientação e metodologia da Fundação Hilton Perkins, de Boston (EUA). A surdo-cegueira é a deficiência simultânea (congênita ou adquirida) de audição e visão, havendo, em alguns casos, resquÃcios de uma delas. O tato é fundamental para a elaboração da linguagem e o desenvolvimento do sentido predominante (audição ou visão). A Ahimsa cuida não apenas dos portadores da deficiência, mas também orienta os pais em relação à aprendizagem de uma comunicação própria com os filhos. Muitas vezes, os educadores começam o trabalho pela casa da famÃlia, já que alguns deficientes não têm convÃvio social. E os familiares não sabem lidar com o problema.
Tempo, determinação, paciência e amor são ingredientes para o domÃnio da linguagem que será usada para o ensino da matemática, português, ciências e outras disciplinas. Além de possibilitar a comunicação e dar autonomia ao surdo-cego, a Ahimsa ensina artesanato em papel e reciclagem, e ainda conta com uma padaria-escola para profissionalizar jovens e adultos.
Fonte:
http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML1701689-2455,00.html



A algo que a sociedade possa fazer para contribuir com esse projeto.Nadia,Maceio.
Boa Noite! Que Deus abenções vocês e a este "Anjo"que os apoia até hoje. Também tenho uma entidade, que recebeu o nome da minha filha, que ficou cega por negligência médica e hoje é portadora de baixa visão. A luta é grande! Mais estamos ganhando espaço para os portadores de necessidades especiais, só necessitamos de um pouco mais de boa vontade. Muita paz para vocês. Carinhosamente, Kelly